
“Não consegui passar a ideia que queria.”
“Acho que não me fiz entender.”
Se já saiu de uma reunião ou de uma conversa importante com estes pensamentos na cabeça e a sensação de que não se conseguiu expressar bem, é importante que saiba que esse desconforto é mais comum do que parece e está, muitas vezes, relacionado com pequenos erros de comunicação.
E o problema aqui é que esses erros não se limitam à troca de mensagens, porque o que acontece é que eles têm impacto na forma como nos vemos e como os outros nos veem.
Ou seja, se sente que a forma como comunica não flui, então, o mais provável é que a sua confiança também saia abalada.
Agora, mais importante ainda: os erros são normais e podem ser corrigidos. E, a cada erro, tem do seu lado uma oportunidade para aprender, corrigir e tornar-se mais forte.
Neste artigo, vamos explorar os 8 erros de comunicação mais comuns que prejudicam a sua confiança e ver como pode acabar com eles de forma prática e consciente.

Falta de escuta ativa
Está numa reunião — talvez com o seu chefe, um parceiro ou um cliente — e ele começa a explicar o seu ponto de vista.
Enquanto a pessoa fala, a sua cabeça já está a mil: “Mas isso não faz sentido… eu já sei onde ele quer chegar… quando ele parar, vou dizer-lhe que…”.
E, de repente, percebe que interrompeu, se calhar de forma subtil, talvez com um “sim, mas…”, e que, no fundo, nem ouviu metade do que o outro disse.
A sua intenção até pode ser boa — contribuir, resolver, mostrar interesse —, mas o efeito é o oposto: a comunicação perde fluidez. Em contextos profissionais, isto pode ser interpretado como impaciência ou falta de empatia; nas relações pessoais, como desinteresse.
A maior parte das pessoas não “escuta mal” por descuido, mas por ansiedade e necessidade de ser compreendida.
Quando temos medo de não ser ouvidos, tendemos a falar mais do que ouvir.
É o impulso de querer controlar o rumo da conversa, uma forma de proteger a nossa segurança emocional.
Como acabar com este erro de comunicação:
Praticar a escuta ativa é um treino.
- Comece com algo simples: espere três segundos antes de responder.
- Durante esses segundos, respire, observe e confirme se compreendeu:
- “Então o que está a dizer é que…?” ou “Entendi bem o que você quis dizer?”.
- Dê sinais de que está atenta: um aceno de cabeça, um “sim” suave.
Este pequeno gesto muda o tom da conversa e o outro sente que está a ser ouvido.

Informar em vez de comunicar
Enviou um email que, para si, estava claro, explicou as instruções, deu detalhes… e, mesmo assim, a outra pessoa “não entendeu” e não fez o que lhe pediu.
Na sua perspetiva, a culpa é dela; afinal, você informou-a sobre o que era para fazer.
Só que comunicar é mais do que transmitir dados e informações: é também garantir que a mensagem foi compreendida.
Porque, quando não nos certificamos disso, o resultado é ruído, trabalho a dobrar, frustração e a sensação de “falo e ninguém me entende”.
Nas relações pessoais, isto cria distância emocional; no trabalho, provoca falta de alinhamento nas equipas e desgaste.
Como acabar com este erro de comunicação:
Pergunte-se: “Será que esta pessoa entende as coisas da mesma forma que eu?”
Adapte a linguagem àquilo que é familiar para a outra pessoa, confirme que ela compreendeu, peça-lhe para repetir, se necessário.

Excesso de vícios de expressão
Está numa reunião ou numa conversa mais formal a explicar uma ideia e, a meio da frase, diz: “E pronto…”, “OK?”, “Portanto…”.
Percebe que usa estas expressões demasiadas vezes, mas quanto mais pensa em não as dizer, mais as repete.
E sai da conversa com a sensação de que se atrapalhou, que a sua mensagem perdeu força e que os outros ficaram mais focados nos “OK” e nos “portanto” do que no que você quis dizer.
Estes pequenos vícios de expressão, por mais inofensivos que pareçam, retiram-lhe credibilidade e clareza e distraem o seu interlocutor da mensagem que quer passar.
Em contextos profissionais, fazem com que pareça insegura ou pouco preparada.
Em conversas pessoais, podem transmitir nervosismo ou falta de convicção.
E, com o tempo, pode começar a evitar falar em público, a duvidar da sua capacidade de se expressar e a sentir que fala, mas não convence ninguém.
Quero que saiba que os vícios de linguagem raramente têm que ver com falta de vocabulário.
Surgem como forma de preencher pequenos espaços, quer seja pela ansiedade, pelo medo de errar ou de ser julgada. Quando o silêncio nos deixa desconfortáveis, tentamos preenchê-lo com sons, palavras ou até risos nervosos.
É uma tentativa inconsciente de parecer que estamos ao controlo da situação, mesmo quando nos sentimos inseguras.
Como acabar com este erro de comunicação:
O primeiro passo é tomar consciência dessas repetições, sem se culpar.
Grave-se a falar, repare nos padrões e escolha um vício de cada vez para trabalhar.
Quando sentir que ele surge, respire e substitua-o por uma pausa.
A pausa é o seu novo sinal de segurança. Mostra que está presente, confiante e confortável com os seus pensamentos.
Com o tempo e o treino, vai ver que o seu discurso acabará por se tornar mais limpo e a sua voz mais firme.

Incongruência entre o que diz e o que demonstra
Entra numa reunião e alguém lhe faz uma pergunta difícil.
Por dentro, sente o estômago a apertar, mas abre um sorriso e a sua resposta sai num tom que não combina com o que sente.
Diz “está tudo bem”, quando não está.
Ou elogia o trabalho de alguém apenas para evitar o desconforto, mesmo quando sabe que há coisas que precisam de ser ajustadas.
E lá no fundo, porque sabe que a sua expressão facial e o seu tom de voz não estão alinhados com as suas palavras, sente-se “falsa” ou incoerente, mesmo que seja sem querer.
Quem a ouve capta a incongruência, ainda que de forma inconsciente.
E, por causa disso, a sua mensagem perde força, e o outro fica confuso: “Ela disse uma coisa, mas pareceu outra.”
Com o tempo, essa falta de alinhamento entre o que diz e o que demonstra afeta a sua credibilidade e põe em causa a confiança, tanto a que os outros têm em si, como a que você tem em si mesma.
Afinal, como é que se pode sentir segura quando a forma de se expressar não traduz o que sente ou acredita?
O corpo acaba por revelar o que tentamos controlar com as palavras: os ombros ficam tensos, desviamos o olhar, a respiração fica mais curta.
E isto não acontece porque esteja deliberadamente a ser falsa. Provavelmente, só se quer proteger. Quer evitar o conflito, parecer competente, agradar.
Mas, ao esconder o que sentimos, afastamo-nos da autenticidade e da coerência emocional que, na verdade, são dois pilares de uma comunicação verdadeira e eficaz.
Como acabar com este erro de comunicação:
Comece por reconhecer o que está a sentir antes de falar.
Pergunte-se: “O que quero realmente dizer?” e “Como posso expressar isto com respeito e verdade?”.
Se estiver nervosa, não precisa de disfarçar, pode nomear a emoção: “Estou um pouco nervosa com este assunto, mas quero muito encontrar uma solução.”
E, ao ser honesta, cria proximidade e abre espaço para que a escutem com mais atenção.

Esconder-se atrás do silêncio
Está numa reunião e a conversa gira à volta de algo que domina.
Pensa em dar a sua opinião, mas a sua voz interior é mais rápida:
“Será que faz sentido o que eu vou dizer?”
“E se acharem que estou a contrariar?”
“Talvez seja melhor deixar passar…”
Enquanto decide se fala ou não, o assunto muda.
Sai da reunião com um nó no estômago e uma frase engasgada — mais uma vez.
À noite, enquanto revê o dia, pensa em tudo o que poderia ter dito.
A curto prazo, o silêncio parece-nos seguro.
Mas, com o tempo, acaba por a prejudicar: os outros passam a não a consultar, a sua opinião perde espaço e a sua autoconfiança também fica afetada.
Pior: começa a acreditar que a sua voz não é necessária.
E isso, a pouco e pouco, fragiliza a forma como se vê e se posiciona.
Este silêncio que usamos como forma de nos protegermos é muitas vezes um reflexo do medo do julgamento ou da necessidade de aprovação.
É possível que, em algum momento da sua vida, tenha aprendido que falar poderia gerar desconforto e, para evitar o conflito, preferiu não participar na conversa.
Mas o silêncio constante também é uma forma de comunicar. Diz – a si e aos outros – “a minha opinião não importa tanto como a dos outros”.
E, quanto mais se calar, mais difícil será falar.
Como acabar com este erro de comunicação:
Comece por pequenas ações.
Em vez de se forçar a “falar mais”, pratique participar com intenção: faça uma pergunta, confirme uma ideia, complemente algo que foi dito.
Experimente frases como:
“Posso partilhar uma perspetiva diferente?”
“Concordo com o que foi dito, e acrescentaria…”
São pequenos movimentos que quebram o ciclo da invisibilidade e ensinam o corpo a sentir-se seguro ao ser ouvido.
Com o tempo, falar deixa de ser sentido como uma ameaça e passa a ser uma escolha consciente.

Falta de contacto visual
Está a conversar com alguém — numa entrevista, numa reunião ou até num jantar — e, sem perceber, os seus olhos desviam-se: primeiro para o lado, depois para o chão, depois para qualquer ponto seguro que não o olhar do outro.
Enquanto fala, pensa: “Se eu olhar diretamente, vai parecer estranho…” ou “E se ele perceber que estou nervosa?”.
A sua intenção não é desrespeitar a pessoa que está sua frente, eu sei. Você só quer evitar o desconforto.
Mas o resultado é que as suas palavras saem, mas quem a está a ouvir sente falta de presença, mesmo que o conteúdo seja bom.
O contacto visual é uma das formas mais simples e poderosas de transmitir segurança e interesse. Sem ele, a conversa parece distante, e a sua mensagem perde parte da força emocional.
Em contextos profissionais, isso pode ser interpretado como falta de confiança ou até de credibilidade.
Nas relações pessoais, pode gerar a sensação de desinteresse ou desconexão, mesmo quando você, na verdade, está só a tentar controlar o nervosismo.
E o que acontece nestes casos é que a vergonha, a insegurança, o excesso de autoconsciência e o medo de “ser vista tal como é” podem ser tão grandes que preferimos olhar para qualquer lado.
Como acabar com este erro de comunicação:
Treine aos poucos, em ambientes seguros.
Durante conversas informais, mantenha o contacto visual por três segundos antes de desviar.
Em apresentações, olhe para uma pessoa de cada vez e depois mude o foco.
Pense no contacto visual como uma forma de marcar a sua presença, em vez de o ver como um meio para tentar impressionar.

Deixar as emoções falarem mais alto
Está no meio de uma conversa tensa, imagine uma situação em que alguém questiona o seu trabalho, ou diz algo que lhe parece injusto.
Sem se aperceber, o seu coração já acelerou e as palavras saem num tom mais alto do que pretendia.
Tenta-se explicar, mas a emoção já tomou conta do assunto.
Mais tarde, mais calma, quando volta a pensar na situação e revê o que disse, sente-se arrependida e até envergonhada por não ter conseguido manter o controlo: “Não precisava de ter falado assim… poderia ter esperado um pouco…”.
Quando deixamos que as emoções tomem conta da situação, a nossa mensagem deixa de ter destaque. O foco deixa de estar no conteúdo e passa a estar no tom que usamos, no “como dizemos” em vez do “o que dizemos”.
Então, do outro lado, podem interpretar a sua reação como agressividade, impulsividade ou falta de profissionalismo.
E você acaba por reforçar a sensação de que “não consegue lidar bem com certas situações”, o que só prejudica a sua autoconfiança.
Quando nos deixamos dominar por uma emoção, estamos só a responder de forma automática, instintiva, a uma ameaça percebida. Pode ser o medo de ser desrespeitada, o medo de errar, ou o velho impulso de ter de se defender para ser levada a sério.
Como acabar com este erro de comunicação:
O que queremos aqui não é controlar as emoções, mas reconhecê-las antes que elas se exteriorizem.
Para isso, treine o hábito de reparar nos sinais do seu corpo: respiração curta, maxilar tenso, punho cerrado, calor no peito.
E, nesses momentos, faça uma pausa.
Respire fundo e, se precisar, diga: “Preciso de um momento para pensar antes de responder.”
Esta pausa cria espaço entre o sentir e o agir e dá-lhe tempo para poder transformar a emoção em informação, em vez de reação.

Falta de empatia
Está no meio de uma conversa e o seu interlocutor começa a explicar uma coisa com que você não concorda.
Quase sem se dar conta, você cruza os braços, suspira, e prepara mentalmente o contra-argumento. Pensa: “Não é bem assim…”, e, quando o outro termina, responde rápido, tentando “corrigir” o raciocínio.
A conversa acaba por se tornar um jogo de pingue-pongue, com cada um a tentar provar que tem razão, sem sequer tentar perceber o ponto de vista do outro.
E é assim que, sem empatia, o diálogo perde profundidade.
O outro sente-se desconsiderado, e você sente que as pessoas não a entendem.
O mais provável é passar a evitar conversas difíceis, não porque não queira resolver os assuntos, mas porque já espera que não vai ser compreendida.
A falta de empatia surge muitas vezes da pressa em querer resolver, do cansaço ou do medo de ceder.
Quando estamos sobrecarregadas, ouvir o outro pode parecer mais uma tarefa a acrescentar a todas as outras. E, quando sentimos que o nosso ponto de vista não é validado, reagimos tentando impor a nossa perspetiva, em vez de procurar compreender o outro lado.
Mas empatia não é concordar; é dar espaço para que o outro exista na conversa, sem que isso apague a sua própria voz e as suas opiniões.
Como acabar com este erro de comunicação:
Em vez de procurar responder, pratique ouvir com curiosidade.
Pergunte-se: “O que é que esta pessoa quer dizer?” ou “O que é que pode estar por detrás desta reação?”.
E experimente validar antes de (contra-)argumentar: “Consigo perceber o teu ponto, mesmo que veja de outra forma.”

Estes 8 erros de comunicação não são meras falhas técnicas. Revelam padrões internos como o perfeccionismo, a autocrítica e o medo do julgamento. Mas todos eles podem ser corrigidos.
E, ao fazê-lo, você não só melhora a sua comunicação, como também se torna mais confiante, constrói relações mais positivas e passa a sentir-se vista em qualquer contexto.
É por isso que no meu programa de coaching trabalhamos tudo isto na prática: exploramos quem você é, o que é importante para si e como pode transmiti-lo aos outros.
E quando digo que o fazemos “na prática” é mesmo praticando.
Juntas, treinamos como dizer o que precisa sem se justificar, como dizer “não” com respeito e como partilhar a sua opinião de forma clara, mesmo quando se sente nervosa ou em situações mais desafiantes.
Por isso, se sente que chegou o momento de parar de medir cada palavra com medo de ser mal interpretada, de tentar agradar para evitar o conflito ou de duvidar de si sempre que precisa de marcar uma posição, e quer ter suporte e orientação para se fazer ouvir com clareza e confiança, então quero convidá-la a dar o primeiro passo e agendar a sua primeira sessão de coaching.
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Perguntas frequentes sobre erros de comunicação:
1. Quais são os principais erros de comunicação no dia a dia?
Os erros de comunicação mais comuns incluem a falta de escuta ativa, não fazer contato visual, excesso de vícios de linguagem, falar sem clareza, entre outros. Prejudicam a forma como os outros nos veem e podem pôr em causa a confiança.
2. Como saber se estou a cometer erros de comunicação?
Você pode perceber que existem erros de comunicação quando sente que não a compreendem, quando há ruído nas conversas ou quando as pessoas reagem de forma diferente da que você esperava. O autoconhecimento e o feedback de outras pessoas ajudam a identificar esses padrões.
3. O que fazer para corrigir os erros de comunicação e falar com mais confiança?
O primeiro passo é tomar consciência dos erros de comunicação que está a cometer, como interromper os outros, falar de forma confusa ou deixar as emoções dominarem a forma como se expressa. Depois,, pratique a escuta ativa, organize as suas ideias antes de falar e procure alinhar as suas palavras com a sua linguagem corporal.


