
O corpo fala, mas nem sempre escutamos
Eu achava que dava conta de tudo ao mesmo tempo. Queria ser produtiva, atingir metas, estar presente para todos, dar sempre o meu melhor.
E, durante algum tempo, consegui.
Mas, aos poucos, meu corpo começou a dar sinais de que algo não estava bem.
Primeiro, um cansaço persistente — ignorei, atribuindo-o à correria do dia a dia. Depois, vieram as noites mal dormidas, o peso constante nos ombros, a mente acelerada que nem nos momentos de descanso desligava. E eu insistia que precisava de continuar, que parar seria colocar em risco tudo o que tinha construído.
Mas o corpo não se cala. Primeiro sussurra. E, se não o ouvimos, começa a gritar — devagar, de forma persistente, até nos obrigar a parar.
Um dia, ao final da tarde, reparei que tinha agendado duas sessões importantes para a mesma hora. Fiquei surpreendida. Isto nunca me tinha acontecido. Sempre fui organizada, metódica… e, acima de tudo, valorizo profundamente cada pessoa com quem trabalho. Senti um desconforto interior, não por falhar de propósito, mas porque, para mim, este tipo de situação roça a falta de respeito — mesmo sem intenção.
À medida que estas pequenas falhas começaram a repetir-se, comecei a perceber que algo estava a mudar. Sentia um cansaço constante, dores de cabeça intensas, por vezes até a visão turva. O corpo estava a dar sinais que eu já não podia ignorar.
E confesso: comecei a ficar assustada.

A minha vontade de fazer tudo bem feito, de estar presente para todos, começou a afetar não só a minha saúde, mas também a forma como me sentia no meu trabalho. E isso mexeu comigo.
A última coisa que queria era que este estado começasse a impactar negativamente quem me procurava com confiança.
Foi nesse momento que tomei uma decisão: parar um pouco. Não parar tudo — porque isso, para mim, não seria viável, nem me faria bem — mas escolher estar apenas para quem realmente podia precisar mais de mim naquele momento.
Durante mais de um ano, abrandei. Fiquei com um grupo mais reduzido de pessoas, e concentrei a minha energia no essencial.
E, aos poucos, fui recuperando.
Foi assim que percebi que cuidar da saúde mental não tem de ser uma rutura total, mas sim um reencontro com o essencial. É reencontrar um ritmo que nos permita continuar a dar o melhor de nós — com presença, com verdade, e com mais leveza.
E relembrei-me de que cuidar da minha saúde mental não tem tanto que ver com eliminar os desafios, mas mais com aprender a enfrentá-los com as ferramentas certas. Talvez também já tenha sentido isto…
E é aqui que entram as soft skills — competências emocionais e sociais que nos ajudam a navegar pelo caos com mais consciência, equilíbrio e resiliência.

Saúde mental: não se trata de estar bem o tempo todo
A sociedade em que vivemos glorifica a produtividade e a resiliência a qualquer custo. Existe até uma crença implícita de que ser mentalmente forte significa não ir abaixo, não demonstrar fraqueza e seguir em frente, independentemente de como nos sentimos. (Se estiver a viver algo parecido, quero que saiba que não está sozinha.)
Mas a verdade é outra:
A verdadeira saúde mental não significa nunca sentir ansiedade, stress ou tristeza. Pelo contrário, significa entender esses sentimentos, saber reconhecê-los e ter as ferramentas necessárias para lidar com eles de forma saudável.
E é aqui que as soft skills se tornam fundamentais. Elas não fazem o caos desaparecer como por magia, mas ajudam-nos a enfrentá-lo com mais consciência e equilíbrio.

7 Soft Skills que contribuem para a sua saúde mental
Autoconsciência: ouvir os primeiros sinais
O primeiro passo para cuidar da saúde mental é reconhecer quando algo não está bem. Autoconsciência significa entender as suas emoções, perceber os seus limites e identificar padrões de comportamento que a podem estar a levar a uma situação de esgotamento.
Para desenvolver esta competência, pode:
- Reservar momentos para refletir sobre o que sente;
- Escrever um diário emocional;
- Observar como o seu corpo reage a momentos de stress;
- Praticar o autoconhecimento sem julgamentos.
Autocuidado: o que precisa versus o que esperam de si
Muitas vezes, negligenciamos o autocuidado porque o vemos como um luxo, e não como uma necessidade. Mas cuidar da saúde mental significa estabelecer limites, priorizar o descanso e permitir-se recarregar energias.
Como pôr isto em prática?
Não espere até estar esgotada para cuidar de si.
E se, em vez de preencher todos os minutos livres, deixasse um espaço só para respirar, nem que seja cinco minutos com uma chávena na mão, a olhar pela janela?
Defina pequenas pausas no seu dia, encontre atividades que lhe deem prazer (e não apenas produtividade!) e trate esses momentos com a mesma importância com que trata os seus compromissos profissionais. E sim, isto significa marcar estes momentos na agenda, tal como se fosse um encontro com alguém – porque é; é um encontro consigo.

Resiliência: o poder de se reerguer
Resiliência não quer dizer suportar tudo sem reclamar. Em vez disso, é mais sobre aprender com as adversidades e encontrar formas saudáveis de seguir em frente.
Pessoas resilientes são pessoas proativas e determinadas, com grande capacidade de reagir positivamente perante grandes desafios e momentos difíceis, são pessoas que se adaptam às circunstâncias de forma construtiva e positiva. São pessoas com uma grande força interior e orientadas para a ação.
Para fortalecer a sua resiliência, experimente o seguinte:
- Em vez de se culpar pelos desafios que surgem na sua vida, pergunte-se: “O que posso aprender com isto?”
- Construa uma rede de apoio
- Pratique o pensamento positivo – sem exageros!
Empatia: construir relações mais fortes e saudáveis
A empatia não é só entender o outro, mas também permitir-se ser compreendida. A realidade é que, muitas vezes, guardamos tudo para nós, por medo de incomodar ou de parecer fracas. Mas partilhar experiências e procurar o apoio de outras pessoas é um dos maiores atos de autocuidado que podemos praticar.
Como praticar?
- Comece por ouvir os outros sem julgamentos;
- Procure compreender perspetivas diferentes das suas;
- Permita-se ser vulnerável nas suas relações.
Na empatia, quanto mais oferecemos, mais recebemos.

Comunicação eficaz: expressar-se sem culpa
Aprender a comunicar as suas necessidades e sentimentos de forma assertiva reduz os conflitos, melhora os relacionamentos e fortalece a sua saúde mental.
As pessoas dotadas de uma boa capacidade comunicativa conseguem fazer novos contactos com facilidade. Além disto, expressam-se de forma clara e assertiva, o que contribui para que criem relações positivas e profícuas com os outros. Influenciam mais facilmente os outros e, por isso, conseguem vender melhor as suas ideias, projetos, produtos ou serviços.
Para trabalhar esta soft skill, pratique dizer “não” sem culpa e expresse os seus sentimentos sem medo.
Quanto mais clara e mais respeito demonstrar pelo outro na sua comunicação, mais equilibrados serão os seus relacionamentos.
Gestão do Stress: a arte de dominar o caos
O stress faz parte da vida, mas saber como geri-lo pode fazer a diferença entre sentir que tem as coisas sob controlo ou que anda constantemente a correr atrás do prejuízo. E não tem de começar em grande – pequenas mudanças na sua rotina podem reduzir significativamente a carga emocional.
Estratégias que pode experimentar:
- Técnicas de respiração
- Pausas estratégicas ao longo do dia
- Delegação de tarefas
- Praticar meditação e atenção plena

Inteligência emocional: a soft skill mais poderosa para a sua saúde mental
Desenvolver a inteligência emocional significa compreender e regular as suas emoções, manter relações saudáveis e tomar decisões conscientes, mesmo sob pressão.
As pessoas emocionalmente inteligentes têm uma elevada autoconsciência e estão disponíveis para acolher novas perspetivas. Sabem ouvir e receber feedback, mesmo quando não concordam. Esta soft skill revela-se numa maior autoconfiança e nas relações de empatia que estabelece com os outros.
Para cultivar a sua inteligência emocional, trabalhe a sua autoconsciência, empatia e autorregulação emocional no dia a dia. Quanto mais desenvolver estas competências, mais preparada se sentirá para lidar com os desafios.
O Universo Feminino e a Saúde Mental: pressões e escolhas
A sobrecarga invisível
Para muitas mulheres, a pressão para desempenhar múltiplos papéis — profissional exemplar, mãe atenta, parceira dedicada, filha presente, amiga disponível — é esmagadora. A sociedade ainda nos cobra que sejamos tudo ao mesmo tempo, e o pior: que façamos tudo isto sem demonstrar cansaço ou vulnerabilidade.
Este peso invisível leva muitas mulheres a ignorarem os sinais do corpo e da mente.
Os sintomas começam de forma subtil: falta de energia constante, irritabilidade, sensação de insuficiência… Com o tempo, podem-se transformar em ansiedade intensa, burnout e até conduzir a problemas de saúde mais graves.
E sabe o que é mais cruel?

É que muitas de nós carregam esta sobrecarga em silêncio, sentindo-se culpadas por não conseguirem “dar conta de tudo” ou a acreditar que pedir ajuda é sinal de fraqueza.
Mas a verdade é que a única forma de quebrar este ciclo é parar de tentar carregar o mundo sozinha.
Como sair do círculo vicioso
É possível mudar esta realidade.
Para isso, o primeiro passo é reavaliar as nossas crenças sobre o que significam o sucesso, a produtividade e o autocuidado.
Neste sentido, deixo-lhe 3 ações fundamentais para transformar a forma como se relaciona com a sua saúde mental:
- Reestruturar prioridades – É preciso reconhecer que dizer “sim” a tudo tem um custo. Por isso, sugiro-lhe que avalie o que realmente importa para si e, assim, poder abrir espaço para o que a nutre emocionalmente.
- Criar redes de apoio – Muitas mulheres foram ensinadas a serem independentes a qualquer custo, mas a verdade é que ninguém precisa de fazer tudo sozinha. Pedir ajuda e partilhar responsabilidades não é fraqueza, é inteligência emocional.
- Aprender a dizer “não” sem culpa – A cada “sim” que damos aos outros, estamos a dizer “não” a algo dentro de nós. Da próxima vez que estiver numa situação destas, lembre-se que estabelecer limites saudáveis é um ato de respeito para consigo.

Uma vida com mais equilíbrio e propósito com saúde mental
Quando desenvolvemos as nossas soft skills e pomos em prática as estratégias que promovem o nosso bem-estar e a nossa saúde mental, há uma consequência evidente: a sensação de mais equilíbrio.
Há espaço para respirar, dorme melhor à noite e sente-se ao controlo da sua rotina e da sua vida.
Surge uma nova versão de si que sabe que ter sucesso não é passar a vida a trabalhar para ter mais e mais. Uma versão de si que constrói relações mais saudáveis porque aprendeu a comunicar as suas necessidades. Uma mulher que se sente presente e conectada com o que realmente importa, sem culpa ou autossabotagem.
E note que isto não significa que o caos desaparece — significa que agora tem as ferramentas para lidar com ele de forma mais consciente e leve.
Conclusão: o equilíbrio está em como escolhe cuidar de si
Ter uma boa saúde mental não é um caminho linear. Haverá sempre dias bons e menos bons (ou até maus, faz parte da vida), momentos de força e vulnerabilidade. Mas o que realmente importa é como escolhe lidar com isso.
Não precisa de estar sempre bem – mas merece aprender a lidar com os desafios sem se perder de si no meio do caminho.
O convite que lhe deixo aqui é: pare um momento e pergunte-se “O que é que o meu corpo me está a tentar dizer?”
A resposta a esta pergunta pode ser o primeiro passo para um caminho de mais equilíbrio, consciência e bem-estar.
Se se reconheceu neste texto e quer ter a sua saúde mental como prioridade, convido-a a conhecer o meu método exclusivo: o Programa AMA.
Num espaço individual e totalmente personalizado aos seus objetivos e necessidades, proponho-lhe desenvolver as soft skills de que precisa para sentir que vive em equilíbrio, sem culpa e sem comprometer a sua realização pessoal e profissional. Juntas, vamos traçar um plano para que possa gerir as suas emoções, transformá-las em aliadas, definir limites saudáveis e recuperar o seu bem-estar.
Tal como aconteceu com a Cátia:
“A Marta ajudou-me a perceber que não preciso de ser perfeita para ser suficiente. Aprendi a respeitar os meus limites e a cuidar de mim sem culpa. Hoje, sinto-me mais leve e presente na minha vida.”
A vida não exige que estejamos sempre bem. Mas pede-nos, com carinho, que estejamos mais presentes para nós.
Sou coach e futura psicóloga. Trabalho com mulheres que sentem que estão a fazer muito, mas já não se sentem bem. Acompanho-as num caminho de mudança — para que reencontrem clareza, cuidem da sua saúde mental, desenvolvam as suas soft skills e se sintam, finalmente, mais realizadas. Acredito que não é preciso fazer tudo, só o que é essencial. E que viver com equilíbrio é possível, quando aprendemos a cuidar de nós com verdade e presença.
(Aqui, encontra mais testemunhos das pessoas que já acompanhei.)


