
A determinação é uma qualidade admirável. Um ponto forte da personalidade que nos impulsiona a seguir em frente, a lutar pelos nossos sonhos e a não desistir quando surgem obstáculos.
No entanto, se não nos conhecermos bem ou se não estivermos atentas, é muito fácil deixar que essa determinação se transforme em teimosia. E aí, tudo, até as coisas aparentemente simples se tornam um desafio.
Muitas mulheres que se veem como determinadas, mulheres de ação, que fazem e acontecem, enfrentam, muitas vezes sem se aperceberem, a pressão da autoexigência, que, por sua vez, as pode levar à frustração e ao sentimento de não ser/fazer o suficiente.
Neste artigo, vou ver consigo qual a relação entre autoexigência e determinação, e apontar-lhe caminhos para que possa encontrar um equilíbrio saudável, para mais bem-estar e realização, pessoal e profissional.

O Lado Positivo da Determinação
Ser determinada é, sem dúvida, uma característica que nos pode levar longe. Mulheres determinadas são aquelas que, mesmo perante as dificuldades, continuam a lutar pelas suas metas e objetivos. Têm uma visão clara do que querem e estão dispostas a trabalhar arduamente para alcançar as suas aspirações. Esta resiliência é inspiradora e chega a resultar em conquistas significativas.
Mas também há o outro lado da moeda.
Se esta característica não for acompanhada de autoconsciência e flexibilidade, e a determinação facilmente resvala para a teimosia, e, em vez de fazermos aquilo que é importante para nós, podemos ficar só a insistir num caminho que pode até já nem fazer sentido, ignorando todos os sinais de que há algo que já não está a funcionar.
O Perigo da Teimosia
A teimosia, embora seja muitas vezes vista como uma virtude (até nas entrevistas de emprego!), pode-se tornar um obstáculo significativo. Isto porque a autoexigência que acompanha essa teimosia pode gerar em si uma pressão interna avassaladora, levando-a a vivenciar sentimentos de inadequação e de fracasso quando não atinge as metas a que se propôs.

Outro comportamento comum nas mulheres determinadas é comparem-se a outras pessoas, pois acreditam que precisam de alcançar o mesmo que os outros, mesmo ignorando as circunstâncias, o contexto, as experiências e a personalidade dos outros.
Conclusão: esta comparação constante empurra estas mulheres para um círculo vicioso de autocrítica, onde a sua voz interna se torna um juiz implacável que exige sempre mais. A cada meta não atingida, a sua autoimagem deteriora-se um pouco mais, e a frustração acumula-se.
Então, neste momento, é preciso parar e refletir: será que a sua determinação está ao seu serviço e ao serviço dos seus desejos e objetivos, ou estará só a alimentar um padrão de perfeccionismo que é insustentável?
O Valor do Desapego
E eu sei como é difícil abrir mão de projetos e objetivos. Parece que estamos a falhar, não é? Mas há outra forma de olhar para estas situações que gostava que considerasse.
Desistir de algo que já não faz sentido não é sinal de fraqueza; pelo contrário, é um ato de sabedoria e autocuidado.
Às vezes, o mais corajoso a fazer é deixar ir o que já não nos serve. Isto pode incluir projetos que já não estão alinhados com os nossos valores, relações que nos tiram energia ou metas que estabelecemos sob pressão externa.
É quando nos permitimos deixar ir o que já não faz sentido que criamos espaço para novas oportunidades. Ao praticar o desapego, cultivamos uma mentalidade de crescimento que nos permite explorar novos caminhos e redescobrir o que realmente desejamos.
E o foco não deve estar apenas no resultado final, mas também no processo e nas lições que aprendemos ao longo do caminho. As verdadeiras conquistas passam muitas vezes por aqui. Então, o que fazer para superar a teimosia e a autoexigência?

A Importância da Autocompaixão
Para se sentir em equilíbrio, não tem agora de ir a correr pôr de lado os objetivos que lhe estão a exigir mais dedicação e esforço.
Antes, o que lhe sugiro é que adote a prática da autocompaixão. Seja gentil consigo nas falhas e nas frustrações. Todos somos humanos, estamos sujeitos a erros e desvios de rota. Permita-se sentir, refletir e aprender com as experiências, sem a pressão de ter de encaixar num padrão (que parece) perfeito.
Reserve um momento do seu dia para celebrar as suas conquistas, mesmo as pequenas. Gosto de pedir às minhas clientes que tenham um caderno onde todos os dias registam uma situação que considerem uma conquista, algo que tenham feito e que as tenha deixado orgulhosas de si. Reconheça o esforço que fez, o tempo que dedicou àquilo que é importante para si, independentemente do resultado.
Assim, ao cultivar esta autocompaixão, está a criar um espaço seguro para explorar os seus objetivos de uma forma mais leve e gratificante.

O Caminho para o Equilíbrio: 5 Sugestões
Nem tudo é preto ou branco. E, por isso, não temos de viver num registo de tudo ou nada.
Aliás, encontrar um equilíbrio entre determinação e flexibilidade é essencial para o seu bem-estar.
Deixo-lhe 5 sugestões para a ajudar nesse caminho:
- Pratique a autoconsciência: Pergunte-se com frequência se as suas metas ainda fazem sentido. Reflita sobre o que realmente deseja e se as suas ações estão alinhadas com isso. Pode experimentar fazer isto sozinha, com ajuda destas perguntas, ou pode fazê-lo com apoio e orientação.
- Desafie os seus padrões: Questione essa necessidade de ser perfeita. Pergunte-se se as suas expectativas são realistas e saudáveis.
- Celebre suas conquistas: Reserve um tempo para reconhecer suas vitórias, mesmo as pequenas. Cada passo conta e merece ser celebrado. E, afinal, celebrar faz bem à saúde.
- Cultive a autocompaixão: Quando se sentir frustrada, treine a autogentileza. Relembre-se de que todos enfrentamos desafios e você está a fazer o seu melhor.
- Esteja disponível para aprender: Encare os obstáculos como oportunidades de crescimento e aprendizagem. Cada experiência, boa ou não, traz lições para a sua vida.
Concluindo…
A determinação é uma força poderosa que nos pode levar a grandes conquistas, mas para que isso aconteça sem nos deixar exaustas, é importante encontrar o equilíbrio entre ser determinada e ser flexível. Isto acontece quando abre mão da teimosia e abraça a autocompaixão. Nesta troca, bem mais saudável, o que ganha é uma vida cheia de aprendizagens e oportunidades de crescimento. Uma vida em que sente que quem é e o que faz é suficiente.


