
As férias estão à porta e, em vez de entusiasmo, talvez sinta um aperto no peito, um nó no estômago.
Na sua mente sucedem-se as listas do que ainda falta fazer. Sente o corpo cansado e sem energia. Mas os dias de descanso ainda lhe parecem distantes – sobretudo quando pensa naquilo que quer deixar “despachado”.
Neste artigo, ajudo-a a compreender porque é que, por vezes, a ansiedade surge antes das férias, o que ela lhe pode ensinar sobre si e como pode usar este momento para parar de forma intencional e consciente, e não só porque tem os dias de férias marcados ou porque o cansaço a isso a obriga.
As férias como prémio pelo seu esforço
Durante anos, associei as férias a uma espécie de meta inalcançável: o prémio que só poderia receber depois de “ter feito tudo (bem)”. Só que esta ideia de prémio, trazia um problema: esse momento de ter tudo (bem) feito nunca chegava. Ou, quando chegava, já era tarde, e o cansaço já me tinha vencido.
Ao trabalhar com dezenas de mulheres nos meus processos de coaching, percebi que este padrão não era só meu. Era um sintoma comum entre mulheres dedicadas, comprometidas e exigentes.
E não, não se trata apenas de uma má gestão de tempo ou excesso de trabalho.

O que está aqui a acontecer é algo mais profundo: o nosso sistema nervoso e emocional ainda não sabe como é sentir-se seguro quando descansa. Passámos tanto tempo em modo “fazer” que achamos que só temos valor enquanto estivermos a ser “produtivas”.
A minha intenção com este artigo não é dizer-lhe que tem de relaxar nem que merece férias. Em vez disso, creio que lhe será mais útil mostrar-lhe o que fazer com esta ansiedade que aparece mesmo quando quer (e precisa) descansar.
O que é a ansiedade antes das férias e porque surge?
A ansiedade é uma resposta do nosso sistema nervoso a um sinal de “ameaça”.
E embora o descanso não seja objetivamente uma ameaça, pode ativar medos inconscientes como:
- Medo de perder o controlo;
- Medo de ficar para trás;
- Medo de se desconectar e “desaparecer”;
- Culpa por parar antes de “acabar tudo”.
Estes medos são alimentados por crenças que interiorizámos ao longo da vida: descansar é perder tempo, só quem produz é que merece reconhecimento, o sucesso só vem com o esforço e o sacrifício.
Mas será que é realmente assim?
Na minha opinião, e com base na minha experiência, há outra forma de viver.
E começa com autoconsciência.

Como fazer o balanço de meio do ano sem se julgar (nem se assoberbar com metas)
Em vez de começar por “tudo o que falta”, convido-a a fazer um balanço emocional e estratégico.
Sugiro-lhe esta estrutura:
Valide o que viveu desde as últimas férias (e não só o que fez)
Pergunte-se:
- Em que é que evoluí nos últimos 6 meses?
- O que é que enfrentei e que não estava nos meus planos?
- Que pequenas vitórias consegui?
Este exercício ativa o seu sistema de recompensa interno, reduz o foco na crítica e melhora a perceção da sua autoeficácia, um dos pilares da autoconfiança.

Feche ciclos essenciais; os outros podem esperar
Quais são as 2 ou 3 coisas que, de forma realista, precisa mesmo de resolver antes de parar?
O resto, agende. Anote num lembrete para quando voltar. Coloque em pausa o que pode esperar. Isto é fazer uma gestão executiva emocional, não é procrastinar.
Dê um novo significado ao descanso: descanso como estratégia e não como falha
Descansar ativa o modo parassimpático do nosso sistema nervoso, essencial para a recuperação, para a criatividade e para a tomada de decisão.
Quer estar mais focada e ser mais eficaz no segundo semestre? Então, descansar agora é o seu próximo passo estratégico.
Crie uma “entrada nas férias”, em vez de desligar de um momento para o outro (até porque não vai conseguir!)
Evite a transição brusca. Adote um pequeno ritual: desligue notificações, escreva de forma livre para encerrar o semestre, defina uma intenção para as suas férias.
Assim, vai emitir pequenos sinais que ajudam o seu cérebro a entender que é seguro parar.

E se ainda se sentir ansiosa? Responda com gentileza.
Apesar de todas as estratégias que possa usar, a ansiedade pode continuar a aparecer. O meu convite é que a aceite.
Ela não é sua inimiga. Está a tentar protegê-la com os recursos que conhece.
Mas agora, com este artigo, tem ao seu dispor outros recursos. E pode usá-los a seu favor.
Concluindo…
A ansiedade antes das férias não significa que haja algo de errado consigo. É só um sinal de que o seu sistema nervoso está habituado a funcionar em modo alerta.
Mas não tem de continuar a ser assim.
Com consciência, estrutura emocional e validação interna, pode fazer deste momento pré-férias e férias uma transição para um novo período, em que se vai sentir mais capaz e com mais recursos para fazer face aos desafios que possam surgir.
Parar não é sair da rota.
Ao pararmos, ganhamos perspetiva.
Por isso, parar é, na verdade, estratégico: dá-lhe tempo para integrar o que já viveu e definir os próximos passos com mais clareza e foco.
Concorda?
Se esta nova perspetiva sobre o descanso e a ansiedade antes das férias fez sentido para si, e gostava de parar sem culpa, ganhar clareza sobre o que precisa nesta fase e manter o foco no que é importante sem se esgotar, veja os detalhes do Programa AMA, o meu programa de coaching exclusivo.


